Uma das figuras mais polêmicas da Fórmula 1 atual, Flavio Briatore, de 59 anos, teve seu nome envolvido em vários escândalos na era moderna da categoria. Perto de completar 20 anos de carreira no esporte, o dirigente italiano da Renault parece ter encontrado o obstáculo final.
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) contratou uma empresa independente para investigar o acidente de Nelsinho Piquet no GP de Cingapura de 2008, fato decisivo para a vitória de Alonso. Briatore teria mandado o brasileiro bater de propósito na 16ª volta, três após o primeiro pit stop do espanhol.
Se as acusações contra Briatore forem confirmadas pela FIA, o dirigente pode até ser banido do esporte por manipular o resultado de uma corrida e seus pilotos – Alonso e Nelsinho – punidos de forma exemplar, se for confirmada a cumplicidade de ambos no caso. Não é a primeira vez em que o dirigente corre risco de punições na F-1.
Escândalos marcam carreira de Briatore na Fórmula 1
Os métodos duvidosos de Flavio Briatore começaram a se manifestar em sua segunda temporada comandando a Benetton na Fórmula 1. Em 1991, o dirigente demitiu Roberto Pupo Moreno e colocou o então novato Michael Schumacher em seu lugar, durante a temporada, no GP da Itália. O veterano brasileiro sequer foi avisado da decisão da equipe. Nesta época, ele corria ao lado do tricampeão Nelson Piquet.
Três anos depois, em 1994, uma série de denúncias contra a Benetton manchou o primeiro título de Schumacher na Fórmula 1. A categoria reestreava o reabastecimento, que viria a ser decisivo na estratégia das equipes. Briatore mandou tirar o filtro das máquinas de sua equipe, o que acelerava o processo, mas o tornava muito inseguro. A falcatrua foi descoberta após o incêndio no carro de Jos Verstappen no GP da Alemanha, em Hockenheim, envolvendo o piloto e os mecânicos da equipe. Porém, por sorte, o acidente teve pequenas proporções e ninguém saiu ferido com gravidade.
No mesmo ano, a Benetton foi acusada de usar dispositivos eletrônicos (proibidos) disfarçados em seu carro, como o controle de tração e de largada. Schumacher ainda colocou a cereja no bolo, ao conquistar o campeonato jogando o carro sobre Damon Hill, da Williams, no GP da Austrália, última corrida do ano, disputado no circuito de rua de Adelaide.
No fim da temporada de 1994, Briatore comprou a francesa Ligier para adquirir o direito de uso dos motores Renault, os melhores da época. O regulamento da FIA não permitia que ele fosse o dono da equipe e ele repassou o time a Tom Walkinshaw, dono da TWR, também conhecido por manobras duvidosas em outras categorias. Os propulsores acabaram nos carros da Benetton.
O título de Schumacher em 1995 foi o último brilho desta época da Benetton. A saída do alemão, junto com vários membros da equipe técnica, colocou o time na metade do grid. Em 1996, Briatore comprou uma parte da Minardi, mas não conseguiu vendê-la como o esperado. No ano seguinte, ele foi demitido da Benetton. Em seu lugar entrou David Richards, dirigente bem-sucedido nos ralis.
Entre 1998 e 2000, ele chefiou a Mecachrome, que administrou os motores Renault na Fórmula 1 após a saída da montadora francesa, no fim de 1997. Em 2001, ele voltou à Benetton, após a Renault comprar o time e ele ser reconduzido ao cargo de chefe. Em paralelo, Briatore começou a investir na carreira de jovens pilotos, como o espanhol Fernando Alonso, em um claro caso de conflito de interesses.
Em 2003, Briatore demitiu Jenson Button e colocou Alonso, seu piloto, na vaga na Renault. Além do espanhol, o dirigente foi empresário de pilotos como Mark Webber, Heikki Kovalainen, Jarno Trulli e Nelsinho Piquet. No fim de 2004, após a recusa na renovação do contrato pessoal, Briatore demitiu Trulli da Renault.
A aposta em Alonso acabou se revelando acertada, com o bicampeonato de 2005 e 2006, os únicos títulos da equipe Renault na Fórmula 1. Só que, em 2007, o time francês foi acusado de espionagem contra a McLaren. Segundo a FIA, a Renault tinha dados dos modelos de 2006 e 2007 dos rivais. A equipe foi considerada culpada, mas não foi punida. Briatore demitiu o responsável por levar os dados para a Renault.
Neste ano, Briatore protagonizou uma grande polêmica com o brasileiro Nelsinho Piquet. Insatisfeito com o desempenho do piloto, o dirigente chegou a ameaçar demiti-lo pouco antes da largada das corridas. Após o GP da Hungria, ele foi desligado do time e acusou o empresário de ser seu carrasco e de apenas tomar 20% de seu salário.